Oráculo


P
ergunta


-----Mensagem original-----
De: Javier Rodríguez Doval [mailto:jrguezd@hotmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 13 de setembro de 2002 11:32
Para: sigma@ sigmasociety.com
Assunto: Oráculo: temas paranormales


Estimado Hindemburg Melao Jr:

En primer lugar desearos a ti y a Sigma Society muchos éxitos para vuestros proyectos presentes y futuros. Y a ti personalmente manifestarte mi admiración por tu biografía y por tu forma de escribir, tan amena.
El tema de la inteligencia siempre me ha fascinado y he leído muchas cosas en vuestras páginas que me han gustado y satisfecho profundamente. Gracias por ello.
Mis preguntas son:
-¿Sabes, o puedes estimar, el CI de Nietzsche y el de Gauss?¿y el de personajes de ficción como Sherlock Holmes?
-Y quería saber tu opinión, tanto la racional como la intuitiva, sobre temas paranormales como la telepatía, telequinesia, adivinación del futuro o del presente, fantasmas, levitación...

Muchas gracias. Atentamente,
Javier Rodríguez Doval

Resposta


Prezado Javier Rodríguez Doval,

Muchas gracias por sus palabras amables! :-)

Bertrand Russell estimou o QI de Nietzsche em 180+. Há que se levar em conta que na época de Russell não havia testes adequados para medir QIs acima de 150. O Mega Test foi criado em 1985 e o LAIT em 1973. Então a estimativa de Russell provavelmente se baseava num padrão inadequado. Algumas fontes mencionam QI 200 para Nietzsche, mas isso provavelmente está exagerado. Eu conheço pouco sobre a obra de Nietzsche, por isso não tenho como fazer uma estimativa acurada. Comecei a ler “Assim falava Zaratustra”, não gostei do livro e não terminei de ler (li cerca de 1/3). Por outro lado, alguns aforismos de Nietzsche são muito bons. Eu diria que o QI de Nietzsche pode ser qualquer coisa entre 150 e 180.

No caso de Gauss, é mais fácil fazer uma estimativa, por meio de comparações. Nas estimativas de Catherine Cox, Newton tinha 190 e Laplace também. Então Gauss ficaria no mesmo nível. Mas em minha avaliação, seguramente Newton tinha mais que 190, talvez uns 205, e Laplace deveria ter de fato uns 190. Então Gauss talvez ficasse na faixa de 195 a 200. Aquele problema que ele resolveu aos 11 ou 12 anos, sobre a soma de uma PA, é relativamente fácil até mesmo para uma criança (com QI 170 a 190), e conheço várias pessoas que fizeram o mesmo tão ou mais jovens do que ele. A demonstração que ele deu sobre a impossibilidade de construir um polígono de 17 lados usando apenas régua e compasso, isso pode ser um indicativo interessante de pelo menos 170+. O método para cálculos de órbitas planetárias foi algo mais ou menos “feijão com arroz”, sem muita importância do ponto de vista intelectual, mas constitui uma importante ferramenta operacional. É equivalente ao efeito brawniano (Einstein é referido muito mais vezes, em revistas técnicas, por ter explicado o efeito brawniano do que por seus trabalhos sobre Efeito Fotoelétrico ou pela Teoria da Relatividade, isso porque o efeito brawniano é industrialmente aplicado com freqüência). A famosa distribuição normal também não representa satisfatoriamente a capacidade de Gauss. Acho que os trabalhos atribuídos a ele sobre Geometrias não-euclidianas (bem antes de Lobachevsky, Bolyai e Riemann) foram o que ele fez de mais interessante, e também a soma de vários outros trabalhos, representam bem sua versatilidade e a profundidade de suas idéias. A obra de Gauss é muito vasta e expressiva, provavelmente equivalente à de Newton (na Matemática) e superior à de Euler (qualitativamente). Mas minha estimativa é de um leigo. Sei que Euler é autor de muitos trabalhos “pequenos” (seriam considerados grandes ou mesmo grandiosos pela maioria dos acadêmicos), enquanto Gauss é autor de uma quantidade menor de trabalhos realmente grandes. Euler jogava Xadrez e Russell também. Mas eles não estudavam muito e fica difícil fazer uma avaliação com base nisso. Euler foi o primeiro a chegar perto de resolver o problema do salto do Cavalo, em que é preciso fazer um Cavalo passar por todas as casas do tabuleiro, caindo só uma vez em cada uma, e numerando as casas de 1 até 64, de modo que as somas de cada coluna, cada fileira e cada grande diagonal seja igual a 260. Ele conseguiu as somas nas colunas e fileiras, mas nas grandes diagonais obteve algo como 264 e 256. Mas isto é um problema que envolve muito trabalho "braçal" e pouco trabalho intelectual, e hoje em dia pode-se resolver com o auxílio de computadores. Enfim, Para Gauss, calculo que algo entre 195 e 200 e para Nietzsche algo entre 150 e 180.

Sobre Sherlock Holmes, podemos estabelecer como teto o QI de Conan Doyle: uns 150 ou 160. O autor pode criar situações em que o personagem consegue resolver problemas que ele próprio não conseguiria, mas na verdade muitos desses problemas se baseiam em falácias. Os dados disponibilizados pelo autor, algumas vezes não são suficientes e podem ter mais de uma solução. Assim o personagem não está sendo inteligente ao resolver um problema que outros não conseguem, em vez disso, o autor está "trapaceando" e levando o personagem a chegar a conclusões do que aconteceu (porque ele quer que tenha acontecido) com base em evidências que poderiam levar a conclusões diferentes.

Sobre paranormalidade, eu sou muito cético, mas não uso viseiras. Atualmente pode-se mover ponteiros do mouse com o pensamento (na verdade não é propriamente com o pensamento), e algumas pessoas conseguem ouvir o som das cordas vocais enquanto pensamos (quando pensamos, normalmente verbalizamos nossos pensamentos e movimentamos nossas cordas vocais). Mas não sei até que ponto isso pode ser encarado como indício de que comunicação telepática seja possível, nem sei se estas informações são confiáveis. De qualquer modo, num futuro distante é quase certo que desenvolveremos alguma maneira de estabelecer contato a longa distância e com quase simultaneidade.

Eu não sei o que é “telequinesia”. Pela sonoridade, suponho que possa ser “telecinesia”, mas não sei se tal palavra existe em português e se existe eu não sei o que é, mas posso presumir que “cinesia” diz respeito à movimento. Seria algo como teletransporte? Projeção astral? Em caso afirmativo, o teletransporte tem sido realizado em alguns laboratórios, mas não exatamente como nos filmes de ficção. O objeto (um feixe de laser, no caso) que some num lugar não é o mesmo que aparece no outro lugar. É um feixe idêntico, mas não com a mesma identidade. Eu não conheço os detalhes dessas experiências, mas estou supondo que eles usem EPRB para isso. Em escala humana, isso não será possível por um bom tempo. Com relação à projeção astral, eu não conheço nenhuma experiência séria sobre o assunto, o que me leva a pensar que não existe nenhuma evidência de que isso seja possível. Uma experiência simples seria uma pessoa que se diz capaz de projetar-se fora do corpo, ser levada para uma sala fechada e permanecer nessa sala. Num outro local, alguém escreveria um número com 20 algarismos. Se a pessoa puder ir à outra sala (fora do corpo), voltar e repetir o número, seria uma evidência 99,99999999999999999% segura de que projeção astral é possível. Se a pessoa alegar que não consegue memorizar 20 algarismos, ela pode fazer 4 seções com 5 algarismos. Mas até onde sei, nunca foi feita uma experiência desse gênero em que o resultado tenha sido positivo. Mas acho que num futuro muito distante, talvez seja possível. Nossa capacidade de enxergar a olho nu objetos situados a milhões de anos-luz, é uma forma de percepção incrível. Nossa capacidade de distinguir cores e profundidades também. A visão não está presente em algumas formas primitivas de vida, o que nos leva a pensar que depois de mais alguns bilhões de anos de evolução, provavelmente nosso organismo desenvolverá novos sentidos e será capaz de algumas coisas que hoje não podemos sequer imaginar. A habilidade de estabelecer contato telepático e de projetar-se fora do corpo me parece útil para a sobrevivência da espécie, por isso, se for fisicamente possível, deve ser uma tendência evolutiva. Mas nossa Física atual impõe algumas limitações para isso. Certamente há muitos erros em nossa Física, mas não há como saber se este é um dos pontos errados. De qualquer modo, eu creio que atualmente essas coisas não existem, mas não descarto a possibilidade de existirem no futuro.

Sobre adivinhar o futuro, isto nós fazemos o tempo todo. Os mesopotâmios, assírios, egípcios e chineses previam eclipses com muitos anos de antecedência. Isso é relativamente fácil com fenômenos cíclicos ou predominantemente determinísticos. Mas prever um terremoto, uma tempestade ou o comportamento do mercado de ações, requer uma matemática mais pesada e as previsões são muito limitadas. No caso das pessoas, não há como fazer previsões. Astrologia, por exemplo, não tem nenhum fundamento. Se o planeta Urano tivesse recebido o nome de “Georgium”, como pretendia Herschell, em vez de receber o nome “Urano”, então provavelmente os astrólogos atribuiriam a este planeta traços típicos da personalidade do rei Jorge III, em vez de traços do personagem Urano da mitologia, e a influência que Urano teria sobre as pessoas seria diferente. Na verdade, a Astrologia é tão vazia de fundamento que não vale a pena qualquer esforço para mostrar esse fato.

Mas quando você fala em “adivinhar o futuro” eu suponho que quer dizer a pessoa (ou a mente da pessoa) ir adiante no tempo, receber informações, recuar novamente para o presente e preservar a informação do que acontecerá no futuro. Essa é uma questão que já foi discutida nessa seção, quando nosso amigo Pedro Bessa estava querendo matar a mãe dele. :-) Mas naquele caso, falamos sobre uma viagem física no tempo. Em sua pergunta, você pode estar se referindo a uma viagem mental. Eu acho que das duas, a viagem mental é a menos difícil. Não tenho idéia de como poderia ser feito, e acho que poderia ter o mesmo problema que citei na resposta ao Pedro: o futuro que você vai encontrar em sua viagem mental não será necessariamente o mesmo que vai encontrar quando ele chegar fisicamente. Eu não estou dizendo que você vai influir no futuro e mudá-lo (embora essa também seja uma possibilidade), mas digo que podem existir tantos futuros diferentes como o número de ramificações que existem num fractal escolhido ao acaso, ou seja, é um número virtualmente infinito. E em sua viagem mental, você pode ir para um deles, voltar, e depois pode ir materialmente para qualquer outro futuro diferente daquele para o qual sua mente visitou. Mas isso tudo é muito fantasioso, porque nem sequer podemos saber se existe algo como “futuro”. Nosso amigo Rodrigo Horst tem uma idéia muito interessante sobre tempo. Ele vincula o tempo aos eventos, mas precisamente ao movimento. Se no universo houvesse somente duas bolas e elas estivessem unidas, depois estivessem separadas e depois novamente estivessem unidas. Isso não significa que o tempo teria avançado e depois recuado à origem, mas também não significa que não tenha acontecido isso, porque as situações antes e depois seriam indistintas. No nosso caso, temos memória, por isso saberíamos que a situação estaria se repetindo, em vez do tempo estar avançando e recuando. Mas suponha que, assim como as bolas foram e voltaram exatamente para as mesmas posições, que também todos os componentes de seu organismo e tudo à sua volta avançasse e recuasse exatamente para a posição de origem. Então as informações registradas em sua memória sobre a situação anterior seriam apagadas e você não teria como saber se aquela situação estava acontecendo pela primeira, pela segunda ou pela n-ésima vez. Isso não é recuar e avançar no tempo. É avançar a recuar no espaço com a ilusão de estar avançando e recuando no tempo. Mas qual é a diferença? Objetivamente, nenhuma. Conceitualmente, porém, há uma grande diferença. Hawking fez muitas especulações sobre o assunto, mas o que ele fez foi meramente usar equações que ele julga representarem o comportamento do universo, e analisou como essas equações se comportam. Ele constatou que se o universo se comportasse como as equações, então o tempo não poderia recuar. Isso não quer dizer nada, porque as equações são uma representação grosseiramente incompleta do que ele supõe que seja o universo. O fato é que não se sabe o que é o tempo. Então não há como saber o que aconteceria num caso desses. Eu não conheço nenhum caso de previsão do futuro confirmada. Algumas vezes acontecem coisas muito estranhas, somos levados a pensar que houve premonição, mas se analisarmos a quantidade de vezes que essas premonições acontecem ao longo da vida, eu acho que podemos constatar que de cada zilhão de eventos aleatórios, um se configura como premonição, porque na verdade isso é uma coincidência estatisticamente previsível. No caso da mãe dinah (eu não sei se ela é conhecida em seu país, mas aqui no Brasil há muitos que acreditam nas previsões dela), ela indica números para as pessoas jogarem em diversas loterias, e algumas vezes as pessoas ganham. No Brasil há 170 milhões de habitantes, e não me surpreenderá se uns 100 milhões de pessoas confiarem nas previsões da mãe dinah. Digamos que dessas 100 milhões, talvez 0,1% estejam dispostas a jogar nos números indicados pela futuróloga. Então serão 100.000 apostadores. Como algumas loterias oferecem chances de ganho na faixa de 1/10.000, é natural que muitas pessoas confiem nessas previsões, porque a mídia só vai divulgar os 0,01% de casos bem sucedidos e omitir os 99,99% restantes, transmitindo a idéia fraudulenta de que as previsões foram corretas.

Sobre fantasmas, algo como uma vida imaterial, que temos animando nosso corpo material, e que permanece fora do corpo depois da nossa morte, eu acho que as pesquisas apontam para inexistência disso, mas são pesquisas tendenciosas, que partem do pressuposto de que isso não existe e tentam provar que não existe. Infelizmente, as pesquisas que tentam provar o contrário não são sérias e não merecem crédito. Alguns fotografam o calor (geralmente infravermelho e comprimentos de onda longos) emanado pelo corpo humano e dizem que é a foto da aura, evidenciando a existência do espírito. Mas se você fotografar um forno quente, verá que o forno também tem “aura” e, portanto, tem alma. Eu comecei a ler o Evangelho Segundo o Espiritismo, mas eu não agüentei. Toda minha família é kardecista e eu fui educado nesse ambiente, mas há muitas idéias erradas nessa e em qualquer outra doutrina. Logo no início, o autor apresenta uma falácia atrás da outra, e vai chegando a conclusões cada vez mais absurdas. Algo como: Todos os gatos têm pelos e todos os cachorros têm pelos, portanto gatos são cachorros. E alguns gatos comem pássaros e pássaros podem voar, então gatos também podem, e como os cachorros também são gatos, eles também podem voar. As laranjas são redondas e a Terra também é redonda, portanto existe purgatório. Enfim, eu não tive paciência para ler mais do que as primeiras páginas. Mas o fato de alguém (Kardec) defender uma idéia interessante (vida imaterial) com argumentos ruins, não torna a idéia ruim. Eu acho que podem existir vidas imateriais, e presenciei algumas evidências que me impressionaram, mas tento me manter cético e só aceito algo como válido quando as provas são realmente muito fortes. As pessoas que procuravam Chico Xavier, geralmente o faziam em condição de completo desespero, e estavam propensas a acreditar naquilo quem queria acreditar, por isso os depoimentos sobre assinaturas e caligrafias psicografadas não me parecem evidência suficiente, mas, em alguns casos, as pessoas exibem cartas escritas pelo ente falecido e assim é possível fazer uma comparação objetiva. Os resultados são bastante impressionantes. Mas existem explicações alternativas. Pode ser, por exemplo, que aconteça alguma transmissão involuntária de informação da pessoa que busca contato com o ente falecido para o médium que recebe a mensagem. Mas nesse caso estaríamos tentando remendar o ceticismo sobre vida após a morte, mediante a renúncia ao ceticismo sobre telepatia. Em todos os casos, parece que é necessário abrir mão de alguns dogmas impostos pela nossa limitada Ciência e aceitar que existem fenômenos difíceis de explicar. Mas é preciso ter em mente que o fato de não haver uma boa explicação científica, não significa que devemos acorrer a qualquer explicação esotérica. Devemos nos manter com a mente aberta para eventuais novas possibilidades e não renegar a existência de alguma coisa apenas porque não conseguimos entender como essa coisa funciona. Também não podemos forjar uma explicação mística e estapafúrdia apenas para fingir que sabemos algo que não sabemos.

Quanto à levitação, na década de 1990 foram feitas algumas experiências sobre efeitos de anti-gravidade, produzido por discos girando a altas velocidades. Mas parece que ninguém conseguiu reproduzir essas experiências em outros laboratórios, então é muito provável que sejam resultados induzidos. As experiências revelaram que um disco girando a cerca de 3000rpm podia reduzir em 2% o peso de uma bola de ping-pong pesada numa balança logo acima do disco giratório. Se fossem dois discos, o peso diminuía 4%. Essa questão foi discutida há poucos dias num grupo de alto QI. Minha hipótese é de que a experiência não foi levada a cabo com o devido rigor. Mas suponhamos que a experiência esteja correta, então pensei que talvez o disco giratório pudesse reduzir a quantidade de grávitons que o atravessam, atenuando o efeito da gravidade. Por exemplo: se você faz incidir partículas alfa sobre uma fina folha de ouro, a quantidade que vai atravessar a folha será maior com a folha parada do que com a folha girando. O motivo é que o átomo é 99,9999999% de espaço vazio. Se a folha de ouro tiver espessura de 100.000 átomos (0,01mm), então 99,99% das partículas alfa atravessarão a folha parada. Se você girar a folha rapidamente, a probabilidade da partícula colidir com algum pedaço “sólido” do átomo, e não atravessar a folha, será muito maior, portanto, dependendo da velocidade, pode ser que apenas 98% das partículas atravessem a folha girando. Um efeito análogo, porém com grávitons em lugar de partículas alfa, e com um disco de cerâmica em lugar de uma folha de ouro, pode explicar o fenômeno observado. Quando eu citei a possibilidade do giro drenar a quantidade de grávitons, alguém contestou dizendo que a quantidade de fótons que atravessam um copo parado ou um copo girando é a mesma. Mas quando citei o exemplo das partículas alfa, deixaram de contestar a hipótese. Contudo, depois eu percebi que havia alguns problemas. Se os grávitons realmente fossem bloqueados por um fino disco giratório, então pouquíssimos grávitons conseguiriam atravessar um corpo tão grande como a Terra, e a intensidade da gravidade não seria proporcional à massa (um gráviton que parte do centro da Terra teria menores chances de chegar à superfície do que um gráviton que parte de uma região próxima à superfície) e isso está em desacordo com a experiência, porque significaria que uma bola pequena teria gravidade mais intensa na superfície do que a esperada pela teoria (e confirmada na prática), enquanto uma bola grande (ex.: o sol) teria gravidade menor que a esperada pela teoria e confirmada na prática, e essas desproporções seriam muito grandes, ao ponto de serem facilmente detectáveis. Mas não há nenhuma evidência disso, portanto não deve ser assim.

Levitar com o pensamento, como parece ser a intenção da pergunta, eu acho que não é possível. Há algum tempo, eu vi uma reportagem sobre um homem que esteve próximo ao Dalai Lama durante décadas, mas decidiu afastar-se porque constatou muitas fraudes. Não quero colocar em discussão a questão dele ter levado décadas para perceber as fraudes, por isso não vamos nos desviar do assunto. Bom, o tal homem começou a fazer declarações sobre a lenda de que o Dalai Lama era capaz de voar, e uma das coisas que ele disse é que se ele realmente podia voar, para que precisava de dois helicópteros particulares? A reportagem era ruim e fez alguns comentários sem fundamento. Disseram, por exemplo, que se alguém pudesse levitar, que essa pessoa escaparia para o espaço numa trajetória tangente à superfície da Terra. Isto é evidentemente errado. Bastaria que uma pessoa tivesse densidade menor que a do ar próximo à superfície e maior que a do ar a uma certa altitude, para ficar flutuando naquela altitude. O problema é que para ter densidade menor que a do ar (1,293kg por metro cúbico a 0oC, no equador, 760mHg), a pessoa precisaria expandir-se umas 700 vezes ou diminuir sua massa umas 700 vezes. Creio que seria necessário haver algum outro meio de anular a gravidade, porque pela densidade seria realmente difícil. Claro, existe uma maneira tradicional e bem conhecida para anular a gravidade, que consiste em fazer um mergulho parabólico com um avião. Assim a pessoa pode levitar sem problema, durante alguns segundos. Em órbita, a pessoa também pode levitar. Esses são os casos que conhecemos atualmente que permitem levitar. Em outras circunstâncias, atualmente não é possível.

Um abraço!
Piu

 

 
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