Oráculo


P
ergunta

-----Mensagem original-----
De: Rodrigo de Almeida [mailto:rodrigocientista@ig.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 23 de maio de 2001 02:39
Para: Sigma Society
Assunto: Re: Genialidade
Fala fera!
Muito obrigado pelos elogios!Gostei muito da pequena homenagem, vc tb é meu amigo e pensador profundo ;-)))!!
Pena que vc abandonou a física :-{, pois vc saca muita coisa p/ quem abandonou o curso com apenas 6 meses!!!!!!!!!!
Como é esse tal curso de heurística????¿¿¿¿
Eu acessei no 01.Ainda não está pronto né?
Estou organizando um torneio de xadrez p/ divulgação do mesmo na uerj!Alguma dica de sistema de competição?
No sistema suíço o no. de rodadas é pré-estabelecido?
Se a Terra rotacionasse de forma a gerar uma força centrípeta igual a gravitacional flutuaríamos!Nesta velocidade, a rotação da terra geraria vendavais como em Júpter(não tão fortes é claro, mas um ventinho pelo menos)?Lembre do problema do ovo e da resposta que eu propus!!
OBS:Um professor (coordenador das olimpíadas de astronomia) da uerj disse que não, e eu acho(ah,tenho certeza porra ;-} ) que sim ;-)!!O que vc acha?
beijo
Rodrigo


R
esposta




Fala, Gui!!

Cuidado com essa viadagem de beijo, que tem muita gente lendo isso ;-) (estou colocando sua pergunta no Oráculo, porque achei muito interessante!)
Quanto ao torneio, sugiro eliminatória. Não é fácil fazer emparceiramento suiço. Você precisa ler um livro inteiro sobre arbitragem e praticar um pouco. Têm softwares que fazem isso, tipo Swiss 48 ou Swiss Perfect, mas também levaria tempo até dominar o programa. Se você ler o livro do Calleros ou do Sangiorgi agora, pode usar sistema suíço no próximo torneio.
Mas a parte que mais gostei foi sobre sua idéia de levitação! Realmente muito interessante! Mas da maneira como você colocou, acho que não daria certo. Se você forçar a barra e disser que a Terra é perfeitamente rígida (de outro modo ela se deformaria, ficando mais achatada, e a F.c. deixaria de ser igual à F.g.), perfeitamente esférica, homogênea e sem qualquer traço de atmosfera, e se você estivesse em pé exatamente no equador e acompanhasse o movimento de rotação, seu baricentro (cerca do umbigo) estaria sujeito a uma gravidade menor e a uma força centrífuga maior do que a presente no solo, portanto isso o faria “alçar vôo” numa órbita ligeiramente excêntrica. Você começaria a subir, porque sua velocidade seria maior do que a velocidade circular à altura de seu umbigo, e sua velocidade diminuiria até que você atingisse o apocentro de sua órbita, a 7m do solo, então você começaria a descer e sua velocidade orbital aumentaria novamente, até igualar-se com a velocidade angular de rotação da superfície, o que ocorreria em seu pericentro. Desse modo, exceto quando estiver no pericentro, você estará sempre a uma velocidade angular menor do que a da superfície. Sabendo a altura de seu umbigo (cerca de 1m), podemos calcular as propriedades de sua órbita. Você descreveria aproximadamente uma órbita geoestacionária, “atrasando” menos de 5 milésimos de segundo a cada volta completa, ou seja, a cada hora você recuaria, em média, 9 m em relação à superfície, sempre no sentido leste. Se inicialmente houvesse atrito, bastaria encolher as pernas e ficaria "flutuando" ("orbitando" me parece a expressão mais apropriada). Com atmosfera, você ficaria pululando, bem suavemente, sem o risco de se quebrar, e talvez escorregasse em espiral para um dos pólos, onde a F.c. seria nula (não escorregaria necessariamente até chegar a um pólo, mas escorregaria uma parte do caminho). Se a nossa Terra fictícia não fosse perfeitamente esférica, a situação não mudaria muito, porque você se moveria muito lentamente em relação à superfície, logo não haveria risco de colidir bruscamente com uma montanha, ou algo assim. Mas, a longo prazo, o simples fato de subir (apocentro) e descer (pericentro) o faria interagir com grandes estruturas (edifícios, montanhas etc.) em proporções diferentes, e o acúmulo de pequenas perturbações em sua órbita poderia causar uma queda ou colisão. Se a queda ocorresse no equador, você novamente alçaria vôo. Se fosse numa latitude mais elevada, então dependeria da latitude e da altura do seu umbigo (estou sempre falando em “umbigo”, mas subentenda “baricentro”, pois dependendo do jeito que você cair, todo contorcido, seu baricentro pode ficar longe do umbigo). Após a queda, dependendo, você poderia permanecer em repouso no chão (alta latitude, umbigo baixo), ou novamente alçar vôo (baixa latitude, umbigo alto). Quando caísse de pé (ou se levantasse após cair), a latitude máxima a partir da qual ainda poderia decolar seria 1'55".5 (3,57km do equador). Uma colisão seria bem suave, e você poderia simplesmente contornar o obstáculo.

Abração!
Piu
P.S.: Vamos aproveitar o embalo e fazer propaganda do seu artigo.

 
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