Oráculo


P
ergunta

------Mensagem original-----
De: Francisco Lacerda [mailto:clacerda@vicunha.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 17 de novembro de 2000 06:35
Para: 'sigma.2000@sti.com.br'
Assunto: Oráculo.
Prioridade: Alta

Bom dia piu-piu!!!

Bom dia!

O problema em ser inteligente é que cada vez que você responde uma pergunta, vem alguém que não é tão inteligente como você e já faz outra, "não obrigatoriamente mais difícil". Corroborando com esta tese, estou cá eu, e lá vai! :-)

Não é um problema. É uma bênção que as pessoas inteligentes como você façam perguntas interessantes, e as pessoas pretensiosas como eu tentem responder. Assim as pessoas curiosas como nossos membros e visitantes podem se divertir. :-)

As pessoas muito inteligentes, as famosas mentes brilhantes, acreditam em Deus? E por que nós Homo Sapiens temos esta necessidade enorme de crer em um "ou em alguns" Deus? Pois sabe-se que até mesmo entre os povos muito primitivos, acreditavam eles na existência de alguém superior!

Acredito que em questões polêmicas nas quais haja apenas duas alternativas, as opiniões devem se dividir em duas partes aproximadamente iguais. Sidis não acreditava em Deus, Einstein acreditava. Mas o Deus de Einstein não era “feito” à imagem e semelhança do homem. Einstein adotou o mesmo Deus de Spinoza, um Ser Cósmico que pode ser representado pela Natureza. Pascal, Newton e Descartes também acreditavam, mas eles viveram numa época em que não tinham muita liberdade para pensar sobre esses assuntos. Se acreditassem podiam viver em paz, se não acreditassem seriam queimados. Descartes e Santo Anselmo, entre outros, tentaram provar a existência de Deus. Recentemente Paul Davies e Chris Langan também se ocuparam com essa questão. Eu já tentei provar que Deus não existe, e com isso consegui reunir uma boa quantidade de argumentos que reforçam a opinião contrária, ou seja, de que Deus existe. As idéias de Santo Anselmo, embora muito antigas (século XIII ou XIV), permanecem sem refutação até hoje. Os acadêmicos já tentaram refutações formais, mas parece que essas foram contra-refutadas. Se você tiver muito interesse no assunto, pode visitar http://plaza.powersurfr.com/delajara/ , onde encontrará as estimativas de QI para 300 personagens destacadas de nossa história. Depois você pode pesquisar na Internet ou em alguma enciclopédia, sobre as biografias de cada uma dessas personagens, e montar uma estatística sobre como se comporta a curva “crença em Deus” em função do QI. Se houver algum relação entre uma coisa e outra, a informação pode emergir dessa curva, e creio que ninguém ainda tenha feito esse trabalho, portanto você será o pioneiro.
Se por um lado existem divergências quanto à existência ou inexistência de Deus, por outro há um consenso com relação ao deus bíblico. Conheço muitas pessoas que acreditam em Deus e outras que não acreditam, mas entre as que acreditam e cultivam o hábito de pensar e investigar profundamente as questões, a idéia predominante é de que o deus bíblico é estritamente comercial, um mero instrumento para manipulação política. Mas a Bíblia que chegou aos nossos dias não é a mesma escrita nos primeiros anos do Cristianismo. Foram suprimidos os Evangelhos Apócrifos e certamente foram adulterados muitos outros trechos, de acordo com as conveniências do clero, sobretudo durante a Idade Média e especialmente antes da invenção dos tipos móveis (séc. XV), quando as cópias ainda eram feitas manualmente. Além disso, eu estou me baseando numa amostra pequena de opiniões, portanto essa inferência pode estar incorreta. Particularmente eu acredito que existe um Deus e também acredito que seja completamente diferente dAquele descrito na Bíblia. Não penso num Ser abstrato, mas num Ser de existência física, não no sentido ‘físico’ em que concebemos a palavra. O que digo é que acredito num Ser provido com vontade própria e pensamento, algo bem diferente do “Deus = Universo” ou “Deus = Natureza”. Eu já escrevi algumas páginas sobre o assunto e discuti a questão com nosso amigo Luis Dantas, que é ateu. Faz mais de seis meses que enviei meus argumentos, depois nos encontramos pessoalmente, conversamos ao telefone e trocamos mais alguns e-mails, mas ele ainda não se opôs às minhas idéias com outros argumentos. O espaço está aberto para que ele possa se manifestar (como ele anda meio sumido, será excelente se essa texto o trouxer de volta à ativa).

Sim, queria que você desenvolvesse uma equação para sabermos o percentual de políticos honestos do Brasil ! Pois ha tempos que procuro por um danado desses, mas tá difícil demais! quem sabe com uma forcinha eu encontre um!!! (:-)

Você mesmo pode fazer essa equação, pesquisando entre seus amigos e vizinhos. Os políticos apenas refletem a mentalidade e os sentimentos da população geral. Se somos corruptos e se vamos eleger políticos com os quais nos identificamos, fatalmente eles também serão. Se o rapaz que foi ao seu Manoel da padaria comprar leite, e ao receber o troco percebeu que tinha dinheiro em excesso, se esse rapaz simplesmente coloca o troco no bolso e vai embora, ele está propenso a eleger políticos semelhantes a ele. O administrador que na hora de selecionar um funcionário dá prioridade aos parentes e amigos, em vez de analisar os currículos, não está propriamente cometendo uma injustiça (eu acho), mas ele tende a votar em políticos que façam o mesmo. O executivo que escolhe sua secretária pela silhueta e/ou pelo semblante, vai eleger políticos com a mesma maneira de pensar e agir. E por aí vai... Portanto, se fizermos uma pesquisa entre nossos amigos e vizinhos, vamos encontrar proporções de desonestidade semelhantes às que encontraríamos entre os políticos. O problema é que o povo se acomodou a jogar a culpa de tudo nas costas dos políticos (terremotos, incêndios, raios etc.), e com isso procuram fugir de suas responsabilidades e atribuir seu fracasso ao governo. Não devemos esperar que o governo trabalhe por nós. Nem sequer devemos esperar que o governo cumpra a parte que lhe cabe. Convém apenas cuidar de nossas vidas e das pessoas que estão mais diretamente ligadas a nós, e procurar fazer isso independente das facilidades e benefícios que o Estado oferece.

Sobre sua resposta anterior, concordo em cada vírgula! Também acho que nós não conhecemos nem nosso planeta inteiro ainda, mas vamos esperar que os pesquisadores sérios encontrem algum vizinho para nós, pois não agüento mais essa solidão! A idéia de só existirmos nós no Universo é muito cruel! ! ! E
é bom que encontremos logo um lugar para irmos, pois acho que este planeta não vai durar mais 5000 anos não!. :-).

Bem acho que já chega...

Obrigado pelo espaço, Carlos Lacerda, direto de Pacajus - Ce - BRA.

É sempre um prazer manter contato! Naturalmente eu não vou dar conta de manter um ritmo desses por muito tempo. Só estou conseguindo responder logo porque estou praticamente sem nada economicamente rentável pra fazer. :-) Mas as perguntas são sempre bem-vindas! Fique à vontade pra enviá-las sempre que quiser. Eu me viro pra administrar o tempo. :-)
Um grande abraço!
Piu

 
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