Oráculo


Pergunta


Posted by Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira on July 24, 19100 at 12:35:15:
Olá!

Venho rectificar a minha mensagem sobre a ultrapassagem da velocidade da luz.
Esta foi conseguida sim (em cerca de 300 vezes), mas não foram partículas materiais a ultrapassa-la mas fotões de um raio laser. Diz-se que os cientistas observaram o raio a sair de uma certa camara antes de ter entrado!
Gostava agora mais precisamente, saber as implicações desta experiencia na nossa vida, e porque razão se observou o raio a sair antes de ter entrado.

Desde já obrigado

Jorge

Resposta

Oi!

Pelo que você diz, suponho que os próprios autores da experiência ainda não saibam muito bem o que fazer com o resultado. J A primeira coisa é certamente divulgá-lo (é o que estão fazendo) e esperar que outros repitam a experiência com sucesso. Se for confirmado para vários pesquisadores independentes, será uma questão para se pensar, e pode até revolucionar a Física.
Na década de 1970, quando foi anunciado pela primeira vez que táquions (ou tachions) tinham sido observados, houve alguma agitação, mas ao mesmo tempo houve ceticismo. O tempo foi se passando, e parece que foi realmente um caso isolado, pois os táquions não voltaram a ser observados. Portanto, concluiu-se que eram apenas raios cósmicos produzindo radiação Cherenkov na atmosfera.
Desde 1982 (talvez antes), muitas vezes foi anunciada a descoberta do quark Top, sem que de fato tal descoberta tivesse ocorrido (parece que em 1994 foi confirmada a existência dessa partícula). Willian Herschell, no século XVIII, pensou ter descoberto 4 satélites orbitando em torno de Vênus, e chegou a calcular as órbitas desses satélites, mas depois constatou-se que fora uma ilusão (talvez asteróides, talvez estrelas distantes situadas no mesmo campo de visão). Bessel, em meados do século XIX, pensou ter descoberto anéis em Netuno. Quando a sonda Voyager II passou pelas proximidades de Netuno, em 1989, verificou-se que ele realmente possui um sistema de anéis muito tênues, que jamais poderiam ser observados pelos instrumentos da época de Bessel, e nem mesmo pelos instrumentos modernos situados na Terra. Por volta da década de 1960 ou 70, as excreções de pombos na antena de um grande rádio-telescópio produziram interferências que foram confundidas com mensagens de extraterrestres. J Percival Lowell, enxergava canais na superfície de Marte. E, ao longo da história da ciência, podemos encontrar muitos casos de sensacionalismo. Algumas vezes é a mídia que deturpa a informação, outras vezes são os próprios pesquisadores que fazem isso, ou buscando mais recursos para suas pesquisas (investigação da possibilidade de vida em Marte, por exemplo) ou tentando obter ilicitamente alguma glória pessoal.
É bom esperar antes de acreditar nas notícias muito recentes. Só depois que elas amadurecem um pouco é que se pode saber até que ponto estão corretas. Por outro lado, também é importante tomar certos cuidados com o ceticismo exacerbado. Um exemplo triste é o caso de um físico russo que previu a existência dos quarks antes de Gell-Mann (o russo os chamava de “ases”). Ele apresentou sua teoria para publicação numa revista russa, mas seu artigo foi rejeitado, sob a alegação de que não passava de especulação. Pouco depois, Gell-Mann, independentemente, publicou um trabalho praticamente idêntico, nos EUA. A diferença fundamental é que o russo (e lamento por não me lembrar o nome dele, porque ele certamente merecia ser citado) acreditava que sua teoria representava a verdade, enquanto Gell-Mann, sem maiores pretensões, admitia que se tratava apenas de uma “brincadeira matemática de como poderia ser o universo subatômico”. Posterirmente, a teoria dos octetos, em que se baseava a organização dos quarks, foi confirmada pela descoberta de novas partículas que se enquadravam muito bem no modelo teórico (se não me engano, uma dessas partículas foi o híperon lâmbda, com massa de 1679MeV, grandeza admiravelmente próxima da massa prevista teoricamente: 1681MeV), e isso valeu a ele o prêmio Nobel de 1968, enquanto o físico russo só é citado em algumas poucas publicações sobre o assunto. O próprio Einstein nunca ganhou nenhum prêmio por sua Teoria da Relatividade (o Nobel de 1921 foi por seus estudos sobre o efeito foto-elétrico).
Enfim, é preciso ter uma posição ponderada, sem acreditar em tudo que é dito ou escrito, mas também sem descartar a possibilidade de estar certo, pelo simples fato de não estar de acordo com os modelos vigentes.
Com relação aos pesquisadores terem “enxergado a luz saindo antes de ter entrado”, isso certamente quer dizer que os equipamentos usados indicaram uma leitura que sugere que a detecção da luz saindo precedeu a leitura que sugere a detecção da luz entrando. Sem maiores descrições de como foi o experimento, isso é extremamente vago, podendo inclusive ser um erro de leitura.
Naturalmente estou tentando explicar de acordo com meus poucos conhecimentos sobre o assunto. Poderia especular sobre tempo imaginário e fazer analogias com as propriedades hipotéticas dos táquions, mas enquanto não houver nada de concreto, vou encarar isso como ficção e prefiro não me prolongar na questão. Vamos esperar. Se esses pesquisadores ganharem um prêmio Nobel e se associarem a Sigma, é porque existem boas chances do resultado das experiências serem corretos. J
Eu fiz o que pude, mas não sei se esclareci alguma coisa... J

Um grande abraço!
Piu

 
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